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Embaixadores Bike Brasil - Eduardo Arruda

Após assistir Márcio Ravelli realizando manobras espetaculares em sua cidade, Itú, interior de São Paulo, Eduardo Arruda viu seus olhos brilharem e decidiu que participaria daquele mundo de alguma maneira. Além de competir, Eduardo se sensibilizou com a situação do Brasil frente ao Mountain Bike, acreditando que poderia ajudar na melhora do esporte. Com isso, o ciclista se especializou em construção de pistas e bike parks e, hoje, já completou a marca de 37 pistas construídas. Conheça mais da história do embaixador da Bike Brasil na entrevista abaixo.

Como foi seu início com a bike? O que despertou seu desejo de praticar o esporte?
A minha história com a bike já me fez rodar pelo mundo e essa jornada se iniciou em 2007 quando eu tinha 12 anos e morava em Itu, interior de São Paulo. Na época, o grande campeão de MTB XC Marcio Ravelli revolucionou o esporte trazendo um campeonato de "Slope Style" para a cidade. Aquele evento brilhou os olhos de muita gente com as manobras espetaculares dos atletas de todos os cantos do Brasil e isso motivou a molecada da cidade, que iniciou uma onda forte de "bikers" e novas pistas por todos os cantos da cidade. Graças a essa "sementinha", que o grande mestre Ravelli plantou, diversas vertentes do esporte foram se desdobrando na minha vida e fui conhecendo e me aprofundando cada vez mais com a filosofia que a bike carrega.
Quais foram os principais obstáculos?
Após alguns anos competindo e progredindo no esporte, percebi que havia uma grande dificuldade em sobreviver como profissional para a grande maioria dos atletas, mas bike para mim era muito mais do que só um esporte e eu não aceitaria abrir mão disso para viver uma vida "comum". Me intrigava muito pensar que outros países sustentavam esse esporte, mesmo não sendo viável praticar o ano todo por conta da neve, e o Brasil com condições perfeitas se carecia de profissionais. A partir dessa insatisfação busquei me inserir na indústria internacional para entender e aprender como esse esporte poderia se desenvolver melhor no nosso país.

Depois de algumas viagens e campeonatos no exterior, pude perceber que para desenvolver e profissionalizar o esporte no Brasil deveriam ser criados mais portas de entradas e incentivo pela base. Um exemplo simples seria comparar o Ski/ Snowboard com o Mountain Bike. Notamos que muitos brasileiros se aventuram em experimentar o esporte de neve por ser um esporte com fácil acessibilidade (pistas para iniciante, instrutores, obstáculos progressivos e eventos) e isso é mais raro com o Mountain Bike, devido a carência de espaços como Bike Parks para inserir o esporte à população.

Levando isso em consideração, em 2016 busquei me especializar em construção de pistas e Bike Parks e fui atrás de oportunidades para participar de projetos e grandes eventos internacionais. Durante esse período, morei na Califórnia e Canadá e me envolvi com as maiores empresas do setor, podendo aprender na prática as melhores técnicas de construção de pistas para importantes campeonatos como Sea Otter Classic, Crankworx e RedBull Rampage. Atualmente, possuo o currículo de 37 pistas construídas e inaugurei uma start up de construção de pistas. O objetivo é trazer um novo conceito que chamamos de RUTA.
Pensou em algum momento desistir do esporte?
Talvez no começo de tudo, quando por alguns milésimos, logo após um tombo, você se revolta de ter se machucado, mas isso logo passa e lembro de todas as coisas boas que a bike trouxe para minha vida, não tem como desistir disso, é um estilo de vida!
Você sempre viveu de esporte ou deixou alguma outra profissão de lado?
Meus pais foram o maior suporte para isso acontecer como forma de me manter no esporte, mas depois dos 18, se tornar independente e viver do esporte se tornou uma missão e isso nunca se desvinculou de mim. Ao longo da jornada passei por momentos que tive que me sacrificar em outros trabalhos, para dar suporte aos maiores objetivos, mas isso é normal e foi importante para me fazer ter certeza que não quero trocar meu tempo de vida apenas pelo dinheiro.
Quais as competições que já participou? Quais foram as mais expressivas para você? Já chegou a quebrar algum recorde?
Não sou o mais rápido nem o mais forte em nenhuma modalidade, mas migrei por quase todas elas para entender como a bike me influenciava e em qual segmento eu me sentia mais confortável. Competi em Cross-Crountry, Downhill, Bicicross, Dirt Jump, Dual Slalom, Pumptrack e todas elas me desafiaram de uma maneira particular para que eu desenvolvesse uma melhor integridade com a bike (uma característica conhecida como "flow"). Depois de passar por várias modalidades, percebi na verdade que não era o estilo da bike ou a competição, mas sim a "mentalidade Free Ride" que me fazia sentir vivo. Com o decorrer da jornada fui dedicando mais tempo para as construções das pistas do que aos treinos e comecei a desenvolver mais o lado "Life Style" da bike, criando conteúdos audiovisuais que inspirassem as pessoas a iniciar no esporte. Acredito que o resultado mais expressivo foi ter sido reconhecido por um menino simples que cruzou meu caminho no meio de uma trilha, em uma região serrana do Rio de Janeiro, e ele agradeceu por eu ter feito um vídeo que ensinava como mandar uma manobra que ele queria muito aprender.
Como funcionam as classificações para as competições?
Funciona quando sua mente está preparada para tornar um momento de medo em um momento de conexão corpo-mente. Existem diversos níveis de classificações dependendo do campeonato, mas falando em termos técnicos, todas as modalidades têm categorias de acesso e níveis por idade.
Quais dicas você dá para quem deseja competir profissionalmente?
Acredito que muitos, como eu, já tiveram ou tem o desejo de se tornar profissionais, mas esse esporte, apesar de ser muitas vezes individual, não deve ser levado como tal. Ajudar o próximo a se desenvolver é essencial para que cada vez mais aumentem os números de praticantes e, consequentemente, todos os envolvidos com o mercado, assim como o profissional. Minha dica para quem busca se tornar um piloto mais completo seria: ande de bike por diversão; experimente/pratique diversas modalidades para aprender a se conectar melhor com a bike; construa e mantenha espaços para a prática e explore novos horizontes
Quais são os planos para o futuro? Próximos objetivos?
Recentemente me mudei para Florianópolis para contribuir e fomentar o desenvolvimento da BIKE no Brasil, começando por essa cidade que tem um grande potencial para se tornar um polo internacional do esporte. Busco retribuir o conhecimento que adquiri com experiências que tive e implementar um novo conceito de centros de experiências com a bike no Brasil, em que mais pessoas poderão experimentar o esporte e desenvolver atletas, visando tornar o Brasil um potente destino para entusiastas do Mountain Bike de todo o mundo. Grandes eventos também estão sendo desenvolvidos para criarmos mais visibilidade e causar nos jovens e crianças o mesmo sentimento que tive quando assisti a prova de Slope Style do Marcio Ravelli em 2007 !"BIKE é DIVERTIDO!"

Qual a importância de um evento como a Bike Brasil para o setor de bicicletas?
É uma honra fazer parte desse evento desta maneira esse ano, pois acredito muito na importância de uma feira como essa para fomentar o esporte. Participei diversos anos como espectador e sempre me entusiasmava com as novidades, contatos e conhecimentos sobre o mercado. A Bike tem crescido exponencialmente rápido nos últimos anos e é sempre um turbilhão de coisas novas a cada ano que passa. Para quem participa ou trabalha na indústria de bike, é quase uma obrigação estar ligado ao que se passa em eventos como esse.